ENTREPOSTO
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Entre os produtos doces naturais, o mel é o único que reúne açúcares, enzimas e vários sais minerais e vitaminas essenciais ao ser humano
Não há dúvida de que processar e comercializar o mel deve ser o maior objetivo de qualquer casa do mel ou entreposto de produtos das abelhas. Entretanto, o mel pode ser utilizado em diversos produtos alimentícios, cosméticos e farmacêuticos, como parte de sua composição.
Por razões de mercado e de legislação, a maior parte dos entrepostos prefere concentrar a atividade no mel “in natura” ou composto. Há, porém, quem invista em uma estrutura mais complexa, voltada à produção e venda de alimentos como balas, bolos e doces, cosméticos e complementos alimentares. Por serem formulados de formas diversas, esses produtos conquistam identidade própria no mercado.
O empreendedor apícola, entretanto, deve levar em conta que o processamento do mel “in natura” ou composto, e a produção de complementos alimentares, mesmo de bebidas alcoólicas, são regidos por normas do Ministério da Agricultura, fiscalizados pelos Serviços de Inspeção (municipal, estadual ou federal – conforme o alcance da comercialização), enquanto a produção e comercialização de cosméticos e medicamentos tem o registro feito junto ao Ministério da Saúde, encarregado da normatização e fiscalização através da Anvisa.
A partir do néctar das flores, as abelhas elaboram o mel e o guardam nos favos, em estruturas chamadas alvéolos
“Depois da colheita dos favos de mel, o apicultor inicia uma fase de grande importância para a apicultura, quando a combinação de cuidados higiênicos necessários à manipulação de alimentos, com eficiência e criatividade no processamento e comercialização, pode tornar seu negócio muito rentável”, afirma o professor Paulo Sérgio Cavalcanti Costa, do curso Processamento de Mel Puro e Composto, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.
Não são poucos os que se limitam a simplesmente colher e embalar o mel em latas, vendendo-o para entrepostos e indústrias, no atacado. Especializam-se na produção e tiram o máximo proveito de sua experiência e estrutura. Outros preferem manter a verticalização da atividade, produzindo, processando e comercializando mel, tentando tirar proveito econômico de todas as etapas. E existem também aqueles que acabam se especializando no processamento e na comercialização, abandonando a fase de produção, passando de apicultores a agroindustriais.
Seja qual for o caminho escolhido pelo apicultor, a extração e o envasamento estão, sem dúvida, entre os momentos mais críticos da atividade. Essas etapas existem em qualquer tipo de empresa apícola e delas depende, em boa parte, a qualidade do mel.
Há de lembrar, também, que o mel não é o único produto das abelhas. Deve-se considerar a própolis que tem uso medicinal; o pólen e a geleia real, considerados super alimentos; e, ainda, a apitoxina, com seu potencial de uso farmacêutico, além da cera.
A cristalização do mel
Em termos de conservação, a cristalização do mel pode ser vista como um processo normal, que não indica adulteração: mesmo cristalizado, o mel mantém suas propriedades nutritivas.
Quando acondicionado e armazenado em condições ideais de temperatura e higiene, o mel deve ser consumido em até seis meses após a extração.
O armazenamento
Depois de envasado em vidros limpos e esterilizados, o produto deve ser armazenado de preferência sob resfriamento, à temperatura de 4º a 8ºC. Quando o mel é acondicionado e mantido em condições ótimas de temperatura e higiene, recomenda-se consumi-lo em até seis meses após a extração.
O mel maduro
No mel maduro encontram-se dois tipos de açúcares, cerca de 30% de glicose e aproximadamente 45% de frutose, ambos rapidamente absorvidos pelo organismo. Há ainda inúmeros minerais, vitaminas e um conteúdo enzimático elevado, com destaque para as enzimas amilase, invertase, catalase e lipase. O teor de água ideal fica em torno de 17%. É essa combinação que confere ao mel características alimentares e terapêuticas únicas e lhe assegura um mercado em expansão.
Desoperculação
A retirada dos opérculos dos favos de mel é feita com o garfo desoperculador, cujas extremidades possuem hastes metálicas pontiagudas que perfuram e removem os opérculos. O trabalho acontece sobre a mesa desoperculadora, uma estrutura de aço inoxidável em formato de tanque, cuja largura corresponde ao comprimento dos quadros e que dispõe de um ponto para fixá-los. O mel que escorre não é desperdiçado: ele é recolhido no fundo por um dreno lateral. A mesa inclui ainda um recipiente para os opérculos, em malha metálica de aço inoxidável, que deixa o mel contido neles escorrer para ser recuperado depois.
A extração do mel
Para extrair o mel utiliza-se o extrator de mel, popularmente chamado de centrífuga, um equipamento construído em aço inoxidável no qual os favos, já desoperculados, são presos em suportes radiais conectados a um eixo central. Com o movimento giratório, o mel se solta dos favos, deixa os alvéolos e escorre por eles, sendo projetado contra a parede do extrator; dali desce por gravidade até a parte inferior do equipamento, abaixo do suporte dos quadros, e segue canalizado para o decantador.
A decantação
Para a decantação são empregados tanques decantadores de aço inox, em modelos verticais ou horizontais, com capacidade de até 300 L. Estão disponíveis em diversos volumes e vêm equipados com tampa e com um registro tipo faca na tubulação de drenagem.
Boa parte dos apicultores opta por verticalizar a atividade: produz, processa e comercializa o mel, buscando obter retorno econômico em cada uma das etapas.
O envase
Para o envase, é possível utilizar o próprio decantador ou outro tanque de aço inoxidável equipado com registro tipo faca na base, que permite interromper rapidamente o fluxo do mel durante o envase e facilita dosar corretamente cada embalagem. Ele deve ficar instalado em altura adequada, para que o embalamento seja realizado de modo correto e higiênico.